Universidade de Évora: cinco séculos de história e inovação
Universidade de Évora: cinco séculos de história e inovação
Évora — No coração alentejano, a Universidade de Évora ergue-se como um dos mais emblemáticos símbolos do saber e da cultura portuguesa, com raízes que se estendem até ao século XVI. Fundada oficialmente a 1 de novembro de 1559, data da primeira abertura solene do ano académico, esta instituição é a segunda mais antiga universidade de Portugal, fruto de um projeto visionário impulsionado pelo Cardeal D. Henrique, primeiro Arcebispo de Évora, com o beneplácito do rei D. João III.
A génese do projeto remonta a 1553, quando a Companhia de Jesus assumiu a administração do Colégio do Espírito Santo, instalado no edifício inicialmente construído para acolher seminaristas jesuítas. Nesse mesmo ano, a primeira aula foi lecionada, marcando o início de uma longa tradição académica que se consolidaria com a Bula Papal Cum a Nobis, emitida pelo Papa Paulo IV em 1559, que conferiu à instituição o estatuto de universidade.
O crescimento foi célere. Apenas dois anos após a criação formal da universidade, em 1561, começaram as obras de expansão com a edificação do Pátio dos Gerais. No seu início, o ensino abarcava áreas como Filosofia, Moral, Escritura, Teologia Especulativa, Retórica, Gramática e Humanidades — ficando de fora a Medicina, o Direito Civil e parte do Direito Canónico. Já no reinado de D. Pedro II, o currículo expandiu-se, acolhendo disciplinas como Matemática, Geografia, Física e Arquitetura Militar.
Durante dois séculos, a Universidade de Évora destacou-se pela formação de elites e de missionários, tendo um papel determinante na expansão cultural e religiosa do reino. No entanto, a 8 de fevereiro de 1759, a instituição foi abruptamente encerrada pelo Marquês de Pombal, no âmbito da expulsão dos jesuítas de Portugal. O edifício manteve-se, contudo, ativo ao longo dos séculos seguintes, acolhendo diversas instituições de cariz educativo, desde os Professores Régios da Reforma Pombalina (1762), à Real Casa Pia (1836), passando pelo Liceu Nacional (1841), a Escola Comercial e Industrial (1915) e o Instituto Universitário de Évora (1973).
Foi precisamente em 1973 que a Universidade de Évora renasceu formalmente como universidade pública, retomando a sua missão fundacional de ensino, investigação e divulgação cultural. Hoje, é uma instituição moderna e dinâmica, que alia a riqueza da sua herança histórica às exigências da contemporaneidade, oferecendo formação nas áreas humanísticas, científicas, tecnológicas e artísticas.
Guiada pelo lema de Luís de Camões — “Honesto estudo com longa experiência misturado” — a Universidade de Évora continua a afirmar-se pela excelência do seu ensino e pela qualidade da investigação desenvolvida, mantendo viva a memória de cinco séculos de serviço ao conhecimento.
Por Albino Monteiro
