Praça do Giraldo: o coração que pulsa em Évora
Praça do Giraldo: o coração que pulsa em Évora
Em Évora, todas as ruas parecem querer desaguar num único lugar: a Praça do Giraldo. Desde a sua construção, entre 1571 e 1573, este espaço nobre da cidade assumiu-se como ponto de encontro, palco de história e testemunho de vivências que atravessam séculos.
O nome da praça homenageia Geraldo Geraldes, conhecido como o Sem Pavor, o guerreiro que, em 1167, conquistou Évora aos mouros. O feito foi de tal magnitude que D. Afonso Henriques lhe concedeu o título de alcaide da cidade e fronteiro-mor do Alentejo — uma região que Geraldo continuaria a ajudar a reconquistar. A bravura de Geraldo está eternizada no brasão de Évora: a cavalo, espada em punho, com as cabeças do mouro e da sua filha a seus pés, e as chaves da cidade conquistada.
Após a incorporação definitiva de Évora no reino de Portugal, as estruturas anteriores, entre elas esculturas e um arco do triunfo, foram demolidas para dar lugar à fonte que, ainda hoje, se destaca no centro da praça. Esta fonte barroca, em mármore, ergue-se com elegância. Dotada de oito bicas — cada uma correspondente a uma das ruas principais que confluem na praça —, a fonte ostenta no topo uma coroa. Conta a tradição que, em 1619, Filipe III de Espanha achou que a fonte era tão majestosa que merecia ser coroada. Embora a água continue a jorrar, um aviso se impõe: não é aconselhável bebê-la, pois os pombos da cidade elegeram-na como o seu poço de refresco nas tardes escaldantes alentejanas.
Dominando um dos lados da Praça do Giraldo está a Igreja de Santo Antão, cuja construção começou em 1557 por ordem de D. Henrique. Para permitir a sua edificação e garantir a imponência da sua fachada, vários monumentos circundantes foram derrubados. O interior da igreja revela um raro frontal de mármore no altar-mor, representando o Apostolado, proveniente da antiga ermida de Santo Antoninho, que ocupava o local. Com três naves e linhas de igreja-salão, este templo foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1970.
A própria Praça do Giraldo — outrora chamada Praça Grande — foi reconhecida como Monumento Nacional em 1910. O seu pavimento, de calçada portuguesa, convida a uma deambulação demorada. De um lado, as arcadas oferecem sombra e abrigo, para além de um comércio variado. Aí, destacam-se dois estabelecimentos que resistem ao tempo: o famoso Café Arcada, reputado pelos seus bolos, e a Papelaria Nazaré, a mais antiga da cidade.
Do lado oposto, mais comércio atrai residentes e visitantes. É também aqui que se encontra o Posto de Turismo — paragem indispensável para quem quer descobrir tudo o que Évora tem para oferecer. Outro edifício de destaque é a atual Agência do Banco de Portugal. Outrora associada à Inquisição, a sua fachada impressiona pela grandiosidade e beleza.
Sentar-se numa das esplanadas da praça é um convite irrecusável. Entre um café e um doce alentejano, o olhar perde-se nas fachadas em estilo neoclássico e romântico, nos elegantes candeeiros e nos brasões que, no topo, continuam a prestar homenagem a Geraldo Geraldes.
A Praça do Giraldo não se visita com pressa. Pede-se vagar e olhar atento, para saborear os pormenores que nela se escondem — e para absorver o ambiente sereno que tanto seduz eborenses e forasteiros. Porque, em Évora, é aqui que o coração da cidade bate mais forte.
Por Albino Monteiro
