Castelo de Vide: Sentinela da Fronteira e Testemunho de Séculos de História
Castelo de Vide: Sentinela da Fronteira e Testemunho de Séculos de História
No coração do Alto Alentejo, a cerca de 17 quilómetros da fronteira com Espanha, ergue-se imponente o Castelo de Castelo de Vide — uma fortificação que atravessa séculos de história e permanece como um dos mais emblemáticos testemunhos da arquitetura militar portuguesa.
A origem desta fortaleza remonta ao século XII, quando a povoação de Vide foi conquistada e integrada no território do Reino de Portugal. Foi sob o reinado de D. Dinis que as muralhas da vila conseguiram ganhar a forma que hoje conhecemos, tendo a construção do castelo sido concluída já em 1327, durante o reinado de seu filho, D. Afonso IV.
A muralha medieval, de planta poligonal irregular, envolve o castelo numa configuração característica da arquitetura militar da Baixa Idade Média. Destaque para a imponente torre de menagem, adossada à porta principal, e a barbacã que antecede a fortaleza, ambos elementos que reforçavam a defesa da vila num período marcado por conflitos e instabilidade.
No entanto, a história militar de Castelo de Vide não terminou na Idade Média. Após a restauração da independência de Portugal, em 1640, tornou-se urgente adaptar as estruturas defensivas à evolução da arte da guerra, sobretudo face à crescente ameaça das armas de fogo. Assim, em 1641, inicia-se a construção de uma fortificação abaluartada, com o contributo de engenheiros militares como Nicolau de Langres e Luís Serrão Pimentel, projectando o castelo como uma peça de primeira linha na defesa fronteiriça.
A nova fortificação incorporava seis meios baluartes e dois fortes: o próprio castelo e o Forte de São Roque, construído entre 1705 e 1710. Este último surgiu após uma explosão do paiol, que causou a destruição parcial da torre de menagem.
Desativada enquanto praça militar desde 1823, a fortificação atravessou um longo período de abandono. No entanto, no final do século XX, o monumento viria a ser beneficiado por duas importantes campanhas de reabilitação. Em 1989, os arquitectos Nuno Teotónio Pereira e Ana Rita Santos Jorge lideraram a primeira grande intervenção de recuperação, a que se seguiu uma nova fase de reabilitação e valorização, promovida pelo IPPAR em 2002, novamente sob a orientação de Teotónio Pereira.
Hoje, o Castelo de Vide é mais do que um marco defensivo: é um convite a percorrer séculos de história e a contemplar um património que continua a moldar a identidade da região.
Por Albino Monteiro
