Castelo de Ansiães: a fortaleza esquecida que moldou um território

 

Castelo de Ansiães: a fortaleza esquecida que moldou um território

Entre as colinas de Carrazeda de Ansiães, no distrito de Bragança, erguem-se as imponentes ruínas do Castelo de Ansiães — um testemunho silencioso de séculos de história e poder estratégico. Com raízes que remontam à alta Idade Média, este lugar foi, durante vários séculos, o centro político e económico de uma vasta região do nordeste transmontano.

A importância de Ansiães consolidou-se em 1057, quando Fernando Magno de Leão, no contexto das campanhas da Reconquista Cristã, concedeu o seu primeiro foral. Este documento, que outorgava privilégios administrativos e fiscais, seria o primeiro de vários que reforçariam o estatuto da vila como cabeça de um território abundante em recursos naturais e de crescente importância geopolítica.

A vila desenvolveu-se em torno de uma fortificação bem delineada. No ponto mais elevado situava-se a alcáçova, delimitada por muralhas de traçado oval e reforçada por cinco torreões quadrangulares. Aqui, uma robusta torre de menagem e uma cisterna asseguravam o último reduto defensivo em tempos de conflito. Mais abaixo, uma segunda cintura de muralhas — com mais de 600 metros de extensão — abraçava a vila velha. Este núcleo urbano foi organizado num emaranhado de ruas que se cruzavam, estruturando bairros e zonas residenciais, num modelo típico das populações medievais fortificadas.

Contudo, o destino de Ansiães não resistiria à erosão do tempo. A partir do século XVI, os sinais de declínio tornaram-se evidentes, com uma progressiva perda de população e importância urbana. O golpe final viria em 1734, quando os paços do concelho foram transferidos para o vizinho Carrazeda, deixando o destino de Ansiães. O abandono definitivo da povoação no século XIX marcou o encerramento de um capítulo que, embora esquecido por muitos, permanece gravado nas pedras da sua vetusta cidadela.

Hoje, o Castelo de Ansiães ergue-se como um monumento nacional, convidando os visitantes a percorrer as suas muralhas e a revisitar uma época em que esta fortaleza comandava a paisagem e o destino de uma região inteira.

Por Albino Monteiro


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