Castelo de Monforte de Rio Livre: Guardião esquecido das fronteiras transmontanas
Castelo de Monforte de Rio Livre: Guardião esquecido das fronteiras transmontanas
Erguido sobre uma colina que domina a paisagem agreste de Trás-os-Montes, o Castelo de Monforte de Rio Livre guarda séculos de história, marcados por guerras, reorganizações territoriais e abandonos sucessivos. Apesar de hoje retratar silencioso, as suas muralhas e torre de menagem ainda ecoam as memórias de um passado estratégico na defesa da fronteira norte do reino português.
A origem do castelo remonta, possivelmente, ao século XII, mas a configuração atual deve-se a uma profunda ocorrida em 1280. Esta intervenção foi motivada pela destruição sofrida durante os confrontos entre Portugal e o Reino de Leão, numa altura em que D. Afonso III procurava consolidar a linha defensiva de Trás-os-Montes. Já nessa época, o castelo se apresentava amuralhado, mas foi sob o reinado de D. Dinis, por volta de 1312, que se atraiu a torre de menagem e se concluiu a requalificação da fortificação.
A imponente torre de menagem, de planta retangular e composta por três pisos, adossa-se ao pano de muralha, numa solução que reflete uma evolução nas técnicas de defesa militar da época. O acesso à torre faz-se por uma porta elevada virada para o pátio interior, enquanto no piso inferior se destaca uma cisterna abobadada — um recurso precioso para resistir a cercos prolongados. No topo, um parapeito contínuo assente em cachorros escalados completava a estrutura, garantindo vigilância e proteção.
À época, a vila muralhada de Monforte de Rio Livre florescia junto ao castelo. Ali coexistiam a Casa da Câmara, a igreja paroquial e a Capela de Nossa Senhora do Prado — elementos que subsistiram até ao século XVIII. Contudo, com o declínio gradual da região no final da Idade Média, a vila entrou em despovoamento, processo que culminou no abandono quase total até ao final do século XVIII, quando os últimos habitantes se transferiram para o local vizinho de Águas Frias.
Durante o século XX, o castelo foi alvo de diversas campanhas de beneficiação, preservando-se como um testemunho robusto da arquitetura militar medieval portuguesa. Hoje, embora afastado das rotas mais percorridas, o Castelo de Monforte do Rio Livre permanece como um convite à redecoberta — não só das suas pedras gastas pelo tempo, mas também da história que moldou as fronteiras do país.
por Albino Monteiro
