Panteão Nacional: A Casa dos Heróis de Portugal
Panteão Nacional: A Casa dos Heróis de Portugal
No coração da zona histórica de Santa Clara, em Lisboa, ergue-se imponente o Panteão Nacional — um monumento que preserva a memória de algumas das mais notáveis figuras da história portuguesa. O edifício, inicialmente concebido para ser a igreja de Santa Engrácia, é hoje o repouso de personalidades como Luís Vaz de Camões, Sidónio Pais, Almeida Garrett, Humberto Delgado, Sophia de Mello Breyner Andresen, Amália Rodrigues e Eusébio da Silva Ferreira.
A sua história remonta à segunda metade do século XVI, mas foi apenas no final do século XVII que o arquiteto João Antunes lhe deu o traço definitivo. Apesar disso, o edifício permaneceu inacabado durante séculos — uma condição que lhe valeu a expressão popular "obras de Santa Engrácia", sinónimo de algo que nunca termina. Só nos anos 60 do século XX, sob o regime do Estado Novo, o projeto foi finalmente concluído, cumprindo a lei de 1916 que determinava a conversão do templo em Panteão Nacional.
Entre 1964 e 1966, foram realizadas obras significativas: uma dupla cúpula em betão revestida de pedra lioz foi erguida, o interior — notável pelo uso de diferentes tipos de mármore — foi restaurado e os restos mortais das personalidades homenageadas foram trasladados. A inauguração oficial do Panteão, coincidindo com o quadragésimo aniversário do Estado Novo, ocorreu em 1966.
A fachada principal é um testemunho do encontro entre a inovação do barroco italiano e a tradição arquitetónica portuguesa. Na galilé, destacam-se três portais profusamente decorados, uma obra atribuída ao escultor francês Claude Laprade (1687-1740). O escudo nacional sobre o portal central sublinha o carácter patriótico da edificação. Embora nunca tenha sido consagrada para o culto religioso, a igreja preserva o seu majestoso espaço interior sob a moderna cúpula, animado por uma vibrante decoração de mármores coloridos — uma marca da arquitetura barroca portuguesa.
Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o Panteão Nacional é hoje um marco inconfundível no perfil da cidade de Lisboa. Do alto do seu terraço, oferece uma vista privilegiada sobre a capital e sobre o rio Tejo, reforçando o seu estatuto não só como lugar de memória, mas também como ícone da paisagem lisboeta.
Por Albino Monteiro