Castelo de Campo Maior: Sentinela da Raia com Séculos de História
Castelo de Campo Maior: Sentinela da Raia com Séculos de História
Erguido a escassos 10 quilómetros da fronteira com Espanha, o Castelo de Campo Maior é uma das mais notáveis sentinelas da raia alentejana, testemunha silenciosa de séculos de disputas, alianças e modernizações militares.
A primeira menção significativa remonta ao período da Reconquista, quando a fortificação foi tomada pelo Reino de Leão. Só em 1297, com a assinatura do Tratado de Alcanices entre D. Dinis de Portugal e Fernando IV de Castela, o território de Campo Maior foi definitivamente integrado em Portugal. Pouco depois, o próprio D. Dinis tentou a clandestinidade do castelo, iniciando um ciclo de obras que se prolongaria ao longo de várias dinastias.
Durante os reinados de D. João II e de D. Manuel I, o castelo sofreu importantes intervenções de ampliação e reabilitação, tendo o traçado contado com o contributo do famoso desenhador Duarte d'Armas, cujos registos continuam a ser uma fonte valiosa para a história da arquitetura militar portuguesa.
Contudo, seria nos séculos XVII e XVIII, no auge da introdução de armas de fogo e da necessidade de novas estratégias defensivas, que a fortificação ganharia a sua forma mais marcante. Sob a direção do engenheiro francês Nicolau de Langres, e com posteriores contribuições de Luís Serrão Pimentel, nasceu a imponente fortaleza abaluartada — uma resposta direta às novas ameaças bélicas. O conjunto integra quatro baluartes, seis meios baluartes, quatro revelins e a emblemática Porta da Vila. As muralhas, de planta trapezoidal, são encimadas por ameias e um adarve que permite uma circulação integral, ligando as diversas torres.
Mas a história do castelo também é marcada por tragédias. Em 1732, uma violenta explosão no paiol destruiu por completo o castelo e a cerca velha. A passagem da praça ficou com a carga de Diogo Lopes de Sepúlveda, que restaurou a fortificação, garantindo a continuidade da sua função defensiva na linha do Alentejo.
Atualmente, quem visita Campo Maior pode não apenas percorrer as muralhas e apreciar a vista sobre a barreira alentejana, mas também visitar o Centro Interpretativo da Fortificação Abaluartada (CIFA), inaugurado após uma profunda requalificação em 2021. Este espaço moderno convida os visitantes a mergulhar na história da fortificação e na complexa teia de conflitos e estratégias que moldaram a raia luso-espanhola.
O Castelo de Campo Maior permanece, assim, como um elo entre o passado e o presente — um símbolo da resiliência e da engenhosidade de um território que sempre pôde defender a sua identidade.
Por Albino Monteiro
