O Palácio Cadaval: Um Tesouro Vivo no Coração de Évora
O Palácio Cadaval: Um Tesouro Vivo no Coração de Évora
No topo da acrópole de Évora, partilhando protagonismo com outros monumentos que moldam a silhueta da cidade alentejana, ergue-se o imponente Palácio Cadaval. Mais do que um edifício simples, trata-se de um fragmento autêntico da História portuguesa, onde a arquitetura, a memória e a cultura se entrelaçam. Venha conhecer. Vamos entrar.
Uma viagem pela História
Originalmente conhecido como Palácio da Torre das Cinco Quinas, o edifício nasceu parcialmente sobre as muralhas romano-visigodas que integravam o antigo Castelo de Évora. Foi Martim Afonso de Melo, fidalgo descendente da coroa portuguesa e servidor do Mestre de Avis, que tentou a sua construção junto à histórica Torre de Évora.
Hoje, tanto no exterior quanto no interior, é possível identificar vestígios do antigo castelo: os contornos militares do edifício e a torre na fachada principal são marcas evidentes do passado defensivo da construção.
Ao longo dos séculos, o palácio acolheu várias figuras centrais da monarquia portuguesa. D. João II, D. João IV, D. João V e até D. Fernando II — acusado de conspiração contra D. João II e executado em plena Praça do Giraldo em 1483 — passou por estas paredes, impregnando-as de histórias e intrigas palacianas.
Nos anos 90 do século passado, o Palácio dos Duques de Cadaval foi alvo de um meticuloso restaurante liderado por D. Claudine Marguerite Marianne Tritz, esposa do 10º Duque de Cadaval, trazendo nova vida a esta joia histórica.
A linhagem Cadaval: poder e prestígio
O título de Duque de Cadaval foi criado por D. João IV em 1648 e atribuído a D. Nuno Álvares Pereira de Melo, como reconhecimento pelos serviços prestados na luta pela Restauração da Independência, em 1640. Descendente direto da poderosa Casa de Bragança, a família Cadaval ocupou, ao longo dos séculos, um lugar de destaque no seio da nobreza portuguesa, com autoridade senhorial para nomear cargas públicas nas suas terras.
Atualmente, o título pertence a Sua Excelência Diana Álvares Pereira de Melo, cuja sucessão foi confirmada por SAR o Príncipe D. Duarte Pio de Bragança, após o falecimento de D. Jaime Álvares Pereira de Melo, em 2001. A duquesa casou-se, a 21 de junho de 2008, com SAR Charles Philippe d'Orléans, Príncipe d'Orléans e Duque d'Anjou. A cerimónia decorreu na vizinha Catedral de Évora e a recepção reuniu cerca de 400 convidados no próprio Palácio Cadaval.
Um espaço de cultura e hospitalidade
Hoje, o Palácio Cadaval é uma paragem obrigatória para os turistas que visitam Évora. Para além da riqueza arquitetónica e da beleza singular, o palácio alberga exposições permanentes com peças que vão do século XV ao XVIII, incluindo códices iluminados, pintura, armaria e esculturas.
Entre 1994 e os anos seguintes, o palácio acolheu o aclamado “Festival Évora Clássica”, posteriormente renomeado para “Festival de Músicas Sagradas de Évora”. Este evento trouxe à cidade filhos e artistas de todo o mundo, numa oportunidade rara de assistir a concertos sem sair do país. Muitas das atuações decoradas no deslumbrante Jardim do Paço, um pátio decorado com apurado bom gosto.
Nos dias de hoje, o espaço mantém a tradição de acolhimento com uma esplanada aprazível e um restaurante onde é possível degustar o vinho produzido pela própria Casa Cadaval.
O Palácio Cadaval continua a ser, indubitavelmente, um dos locais mais elegantes e cativantes de Évora. Um convite a recuar no tempo, envolvido por séculos de história e beleza.
Por Albino Monteiro







