Muralhas de Évora: Um passeio pelas defesas da História
Muralhas de Évora: Um passeio pelas defesas da História
As imponentes Muralhas de Évora, características como monumento nacional desde 1922, continuam a seduzir visitantes e locais como o seu ar imemorial e a sua impressionante conservação. Integradas no conjunto do Centro Histórico de Évora — reconhecidas como Património Mundial pela UNESCO —essas muralhas são muito mais do que simples vestígios de um passado longínquo; são testemunhas vivas de séculos de história e arquitetura militar.
Évora distingue-se entre as cidades portuguesas por ter preservado, quase intacto, o seu antigo sistema defensivo. As muralhas, cuja construção foi ordenada no século XIV por D. Afonso IV, delineavam-se com precisão os limites da cidade medieval. Ao longo do seu percurso, destacam-se torres emblemáticas, como as da Rampa dos Colegiais, do Baluarte de São Bartolomeu, do Jardim Público, das Portas de Aviz, bem como as que ladeiam o Convento do Calvário e a zona entre o Baluarte do Conde de Lippe e o Quartel de Cavalaria.
Conhecidas também como cerca romana, as muralhas de Évora foram erigidas em diferentes fases e estilos ao longo dos séculos. A primeira cerca, construída no século III durante o período romano, abrange uma área de cerca de dez hectares e estende-se por aproximadamente dois quilómetros. Este perímetro primitivo envolvia a zona mais elevada da cidade, onde hoje se ergue a Sé Catedral de Évora.
O centro histórico, bem protegido pela muralha exterior, continua a ser o núcleo político, administrativo, económico e social da cidade. O sistema defensivo é composto por duas linhas de muralhas que refletem diferentes períodos de ocupação e expansão. A primeira linha, a cerca-velha, de origem romano-medieval, caracteriza-se pela diversidade das suas torres — quadradas, circulares e poligonais — e por portas estrategicamente colocadas nos eixos principais viários. A Porta de D. Isabel é um testemunho notável deste período, uma passagem obrigatória para quem entra no coração da cidade.
Já a cerca-nova, datada do século XVI, marca a expansão da malha urbana e a necessidade de proteger os novos bairros. Ao longo do século XVII, esta muralha foi reforçada com baluartes desenhadas para resistir às novas formas de ataque, nomeadamente a verdade.
A diversidade estilística das muralhas deve-se às sucessivas alterações e restauros realizados por diferentes povos — Romanos, Visigodos, Mouros e Portugueses Medievais. Foram sempre adaptadas às críticas defensivas de cada época. Um exemplo emblemático dessa herança é a Torre Quadrangular, frequentemente associada a Sisebuto, rei visigodo. Apesar desta atribuição, sabe-se hoje que a torre é uma construção romana tardia do século III, integrada na estrutura defensiva mais arcaica da cidade.
Do período islâmico, subsistem poucos vestígios, mas os estudiosos identificaram marcas desse tempo na parte posterior da Sé Catedral e do Templo Romano de Évora.
Para quem quer sentir perto da grandiosidade deste conjunto histórico, a melhor opção é percorrer a pé todo o perímetro das muralhas. Deixando o carro num dos parques exteriores, é possível entrar no centro histórico por uma das suas portas e saborear um passeio tranquilo. A zona extramuros, cuidadosamente tratada do ponto de vista paisagístico, convida a uma caminhada relaxada e prolongada.
Combinando história, património e lazer, uma visita às Muralhas de Évora é, sem dúvida, uma viagem no tempo que merece ser feita com calma. Boa caminhada.
Por Albino Monteiro
